DAS DUNAS ÀS ONDAS – CAPOEIRA MINHA OUTRA PAIXÃO
POESIA.
AUTORIA: DIOLINO DE BRITO - JULHO DE 2011.
Arte que a mim também aprisiona,
Sentimento que me liberta,
Eu, você com nossa nação,
Aqui; juntos nesta festa - bandoleiros de Zumbi pelo Sertão.
O batuque...
Esse, tenho certeza, não é ilusão;
Da fumaça que sobe das pretas “trempes” no terreiro;
Quando sai do âmago;
Magia; essa; quando é magistral;
É passada de pai pras filhas;
É também a luz da tradição;
Cativando os aflitos;
Fortalecendo a miscigenação;
Capoeira... essa, é a minha e tua;
É, ela, a capoeira nossa paixão.
E, o som saído do rústico berimbau;
Tocado pela força e medo do lutador;
Na cadencia matreira, é rima e malemolência que suplanta o acalanto;
De dor, medo ou coragem, eu canto;
Canto, chorando falo, eu canto.
E na dança do fogo pula e gira o jovem mandingueiro;
Essa paixão para o “capoeira” é só um jogo pela vida a guerrear;
Que logo desperta o coração do guerreiro adormecido pelo talho da velha paixão;
Ali, bamboleia o sangue bom, sangue de nobre coração do valente bandoleiro;
O orgulho imanado da própria raça;
Não o deixa apear por qualquer saudade;
Nem mesmo ao ver o roto da saia rodada;
A ele também faz rodar, pelo desejo da nova saudade a lhe queimar.
Na roda, pelo cântico eu gingo;
Oh, esplendida capoeira;
Só tu me faz cantar nas horas de tristeza e solidão;
Estilhaça meu ainda jovem coração revivendo os gritos aflitos por mim imaginados dos ex-senzalados pelos grotões em carreiras;
Lembrando os olhos esbugalhados do meu avô primeiro, no eito da toca do quase moribundo guerreiro, de pernas pro ar, escapava dos açoites e dos cambões;
Na negativa, rolava e a navalha que em seu pé brilhava na meia lua cortava faces sem piedades a hemoglobina a jorrar no sonho que não paro de sonhar.
Assim, eu vou;
Pelo cântico , vou jogar;
As vezes, nem mesmo acho com quem...
mas vou ...Sem medo, vou...
Pelas noite escuras; Entre outros, vou solitário como as lobas nas “matilhadas” a uivarem,
A espera dum luar;
Mesmo que seja sombrio.
No meu “bando de um” Se preciso; Danço mesmo na escuridão do tempo;
Para enfim; Lembrar-me do meu coração livre;
“D'eu, ainda” menino cabeça no chão a girar.
Assim, lá no alto canto o capoeira...
Para a lua, o mar ou para o morro – que mesmo longinquamente;
Ao ouvir um melancólico gunga, pode se acalmar;
Contemplando a arrebentação das águas contra o velho rochedo;
E logo, seu balançar serpenteado;
Sente-se impotente e não afugentará;
Mas , certamente acordará botos, Netuno e sua Mãe Iemanjá...
E pelo cantar da mais bela sereia, sente o arrebatar dos corações dos que estão perdidos a deriva a navegar.
Na inocência das trovas mandingueiras;
De patuás ou não;
O jovem imita o velho no mundo da ilusão , para que! Sei lá;
Por amar tanto;
E ao mar amar;
Quem sabe, um dia talvez;
Voltem nas ondas no balanço sempre contorcido do mar.
Ainda perdidos no infinito da própria alma;
A deriva; navegam sem saber ao certo onde podem ancorar;
Mesmo, sabendo que há portos a espera-los;
Não se sentem a vontade ...
Nem, mesmo vontade de atracar.
No seu deserto - Só estão ... E sozinho ficarão.
Astutos, os capoeiras;
Sabem que o risco - Esse, sempre existe;
Parando ou ficando a deriva;
Num surto, um lembra dos ancestrais das antigas senzalas;
Das lutas, mortes e rebeldia.
O coração, esse já partido aos deuses, por eles pede socorro ...
Ao seu, Olorum traz acalanto...
Assim, os outros permanecem;
A deriva no balançar infindo, na emoção das ondas serpenteadas do mar da rebeldia do próprio coração.
Na diáspora da ilusão;
Só mesmo o som é capaz e pode revirar seu coração;
Ali, no terreiro, o capoeirista numa parada de angola;
Para.
E pra ela dançar, com ela brincar; se contorce;
Por ela foi se apaixonar.
Então! Toca meu berimbau, só seu tocar será capaz de me segurar, inerte como pedras nos leitos dos riachos a espera de Iara pra se banhar. Há, Há...Iê ...Camará.
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