quarta-feira, 7 de setembro de 2011
capoeira minha outra paixão-poesia
DAS DUNAS ÀS ONDAS – CAPOEIRA MINHA OUTRA PAIXÃO
POESIA.
AUTORIA: DIOLINO DE BRITO - JULHO DE 2011.
Arte que a mim também aprisiona,
Sentimento que me liberta,
Eu, você com nossa nação,
Aqui; juntos nesta festa - bandoleiros de Zumbi pelo Sertão.
O batuque...
Esse, tenho certeza, não é ilusão;
Da fumaça que sobe das pretas “trempes” no terreiro;
Quando sai do âmago;
Magia; essa; quando é magistral;
É passada de pai pras filhas;
É também a luz da tradição;
Cativando os aflitos;
Fortalecendo a miscigenação;
Capoeira... essa, é a minha e tua;
É, ela, a capoeira nossa paixão.
E, o som saído do rústico berimbau;
Tocado pela força e medo do lutador;
Na cadencia matreira, é rima e malemolência que suplanta o acalanto;
De dor, medo ou coragem, eu canto;
Canto, chorando falo, eu canto.
E na dança do fogo pula e gira o jovem mandingueiro;
Essa paixão para o “capoeira” é só um jogo pela vida a guerrear;
Que logo desperta o coração do guerreiro adormecido pelo talho da velha paixão;
Ali, bamboleia o sangue bom, sangue de nobre coração do valente bandoleiro;
O orgulho imanado da própria raça;
Não o deixa apear por qualquer saudade;
Nem mesmo ao ver o roto da saia rodada;
A ele também faz rodar, pelo desejo da nova saudade a lhe queimar.
Na roda, pelo cântico eu gingo;
Oh, esplendida capoeira;
Só tu me faz cantar nas horas de tristeza e solidão;
Estilhaça meu ainda jovem coração revivendo os gritos aflitos por mim imaginados dos ex-senzalados pelos grotões em carreiras;
Lembrando os olhos esbugalhados do meu avô primeiro, no eito da toca do quase moribundo guerreiro, de pernas pro ar, escapava dos açoites e dos cambões;
Na negativa, rolava e a navalha que em seu pé brilhava na meia lua cortava faces sem piedades a hemoglobina a jorrar no sonho que não paro de sonhar.
Assim, eu vou;
Pelo cântico , vou jogar;
As vezes, nem mesmo acho com quem...
mas vou ...Sem medo, vou...
Pelas noite escuras; Entre outros, vou solitário como as lobas nas “matilhadas” a uivarem,
A espera dum luar;
Mesmo que seja sombrio.
No meu “bando de um” Se preciso; Danço mesmo na escuridão do tempo;
Para enfim; Lembrar-me do meu coração livre;
“D'eu, ainda” menino cabeça no chão a girar.
Assim, lá no alto canto o capoeira...
Para a lua, o mar ou para o morro – que mesmo longinquamente;
Ao ouvir um melancólico gunga, pode se acalmar;
Contemplando a arrebentação das águas contra o velho rochedo;
E logo, seu balançar serpenteado;
Sente-se impotente e não afugentará;
Mas , certamente acordará botos, Netuno e sua Mãe Iemanjá...
E pelo cantar da mais bela sereia, sente o arrebatar dos corações dos que estão perdidos a deriva a navegar.
Na inocência das trovas mandingueiras;
De patuás ou não;
O jovem imita o velho no mundo da ilusão , para que! Sei lá;
Por amar tanto;
E ao mar amar;
Quem sabe, um dia talvez;
Voltem nas ondas no balanço sempre contorcido do mar.
Ainda perdidos no infinito da própria alma;
A deriva; navegam sem saber ao certo onde podem ancorar;
Mesmo, sabendo que há portos a espera-los;
Não se sentem a vontade ...
Nem, mesmo vontade de atracar.
No seu deserto - Só estão ... E sozinho ficarão.
Astutos, os capoeiras;
Sabem que o risco - Esse, sempre existe;
Parando ou ficando a deriva;
Num surto, um lembra dos ancestrais das antigas senzalas;
Das lutas, mortes e rebeldia.
O coração, esse já partido aos deuses, por eles pede socorro ...
Ao seu, Olorum traz acalanto...
Assim, os outros permanecem;
A deriva no balançar infindo, na emoção das ondas serpenteadas do mar da rebeldia do próprio coração.
Na diáspora da ilusão;
Só mesmo o som é capaz e pode revirar seu coração;
Ali, no terreiro, o capoeirista numa parada de angola;
Para.
E pra ela dançar, com ela brincar; se contorce;
Por ela foi se apaixonar.
Então! Toca meu berimbau, só seu tocar será capaz de me segurar, inerte como pedras nos leitos dos riachos a espera de Iara pra se banhar. Há, Há...Iê ...Camará.
domingo, 4 de setembro de 2011
Jogos Mundiais -Sol Capoeira Brasil
Por se tratar de envento oficial à ajuda dos Governos Federal, Estadual e municipal são imprescindiveis. bem como da iniciativa privada. Os integrantes ainda aguardam uma devolutiva positiva da Prefeitura de São Caetano. haja visto que os primeiros contatos com os secretário de esporte do municipio, deixou o grupo na espectativa do apoio financeira para custear o transporte aéreo. Assim, fortalencer o compromisso do municipio com a cultura e esporte amador na região.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
A CAPOEIRA NO BRASIL - PRIMEIRA PARTE
O esporte traz consigo ao longo de sua história traços de diversas culturas, se transformando e se adaptando a novas situações vividas por homens e mulheres ansiosos por conquistas e status social. No bojo das transformações pelas quais passaram as várias manifestações esportivas no cenário mundial, discorreremos sobre algumas dessas práticas. Tais manifestações quase sempre aparecem ligadas aos cultos pagãos e posteriormente entranhadas aos ritos cristãos.
Num processo inverso ao desenvolvimento do esporte no velho continente, quando o comportamento esportivo da aristocracia interferia nos padrões sócio-culturais das camadas economicamente desvalidas e cada gesto corporal era imitado por todos, no Brasil, tal processo teve início inverso. As práticas esportivas dos negros seria o pilar que viria mais tarde aguçar nos aristocratas o interesse pela cultura corporal. A capoeira seria o principal elemento de sustentação dessa estrutura. Segundo documentário de Mário de Andrade sobre as culturas no Brasil, a partir de 1928.
No Brasil as práticas físicas das camadas mais baixas da sociedade eram vistas por todos os que transitassem pelos lugares onde houvesse negros expostos no labor; nos campos e vilas, que mais tarde seriam grandes centros urbanos na forma que conhecemos hoje. O negro (e, o índio) com seus corpos quase nus, “esculpidos” pelos maus tratos e intensas horas de trabalho e alimentação inadequada; contrapunham-se aos corpos “limpos e tão gordos e tão formosos que não pode mais ser” (DEL PRIORE, 2000:17). No relato de Pero Vaz de Caminha e Gabriel Soares de Sousa, de 1587, já aparecem à cobiça dos “colonizados” pelos corpos e a higiene das índias do novo mundo. Outra questão importante para nossa pesquisa é colocada por DEL PRIORE: “As tupinambás se pintavam com tinta de jenipapo, e põem grandes ramas de contas no pescoço e nos braços”. Trata-se de um comportamento repetido até hoje por negros e praticantes de capoeira de várias etnias. Tais gestos e comportamentos podem ser frutos da convivência entre índios e negros, que se embrenhavam nas matas favorecendo a troca de elementos culturais, ou poderíamos considerá-los fruto do imaginário coletivo, sendo repetido em várias populações pelo mundo.
A capoeira é conhecida e muitas vezes definida como: esporte, jogo, uma luta ou dança; encaixando-se em quase todos os sinônimos que possam ser atribuídos a essa eclética prática esportiva. Para o capoeirista há uma forte ligação, em alguns momentos, entre o fenômeno e a matéria, quando os símbolos e os mitos são visíveis em suas ações motoras e no seu vocabulário.
Com as danças e o esporte criados a partir da necessidade da época os negros procuravam exteriorizar por meio dos gestos de corpos regrados e doutrinados seus sentimentos e a herança motora do negro africano. Para entendermos tal procedimento numa cultura miscigenada, como a brasileira, utilizaremos o conceito de “técnicas corporais” de Marcel Mauss, sob a ótica de GOLDEMBERG (2005). Em seus estudos sobre o corpo cativo sedução e escravidão feminina, e ela faz uso do conceito de “imitação prestigiosa”. O conjunto de hábitos, crenças e tradições que caracterizam uma cultura também se refere ao corpo. Assim, há uma construção cultural do corpo, com uma valorização de certos atributos e comportamentos em detrimento de outros, fazendo com, que haja um corpo típico para cada sociedade
.
A imitação do corpo pode variar de acordo com o contexto histórico e cultural são constituídos pelos membros da sociedade a que pertencem por meio da “imitação prestigiosa” ao imitarem os gestos, comportamentos e corpos que obtiveram êxitos; pessoa “vive a esperança de alcançar o mesmo sucesso do corpo imitado. Mesmo com toda e valorosa expressividade corporal, a oralidade se “destaca e sobrepõe” sucumbindo a própria escrita em certas comunidades. GOLDEMBER (2005:35).
As características citadas acima, para nossa análise, são entendidas como irmandades e grupos, de representações culturais isoladas e até mesmo secretas como jongo, tambor de crioula, seitas e doutrinas religiosas e mesmo em algumas expressões contidas na prática da capoeira.
A oralidade é uma antiga forma de comunicação continua que vem sendo utilizada pelos capoeiristas. Acreditamos que os mestres queiram manter vivas as tradições de seus ancestrais, mas outro motivo seria o analfabetismo. Mas outros, mesmo sendo letrados, acham importante esse processo oral. Mesmo sendo iletrados os capoeiristas mais velhos com a oralidade contribuem favoravelmente na perpetuação dos contos, mitos, lendas e cânticos dentro dessa prática esportiva e cultural, fortalecendo o sentido da transmissão das tradições culturais e religiosas.